segunda-feira, 14 de julho de 2008

O professor de hoje sendo o aluno de amanhã

O professor nos dias de hoje se vê motivado a inserir o computador em sua metodologia de trabalho levando para a sala de aula o uso dos recursos multimídias e das ferramentas digitais, em razão destas enriquecerem a forma de trabalhar o conteúdo favorecendo o aluno na construção da sua aprendizagem. A variedade destes recursos é muito grande. São vídeos, áudios, sites, blogs, animações / simulações, textos e mais uma infinidade de opções que podem tanto ser acessadas quanto ser construídas pelo professor e/ou aluno.

Acontece que para o professor se sentir confortável no manuseio destas ferramentas ele tem que conhecer, pelo menos o básico, para poder não só acessar, mas mediar o potencial de uso dos alunos adequando-as ao projeto proposto.

Não estou mencionando aqui que o professor tem que saber instalar o sistema operacional e muito menos ser responsável pela sua manutenção, mas sim que este deve ter o domínio do objetivo a ser alcançado pela atividade proposta com o uso das ferramentas disponibilizadas na web.

Para conhecer as opções e o potencial destas ferramentas é necessário que os profissionais da educação estejam em constante processo de aprendizagem.

A capacitação para o uso destes recursos deve colocar o professor na condição de aluno que está ali para aprender a conhecer, a utilizar e a construir sua autonomia quanto a disponibilizar as Tics como mais um recurso no processo ensino/aprendizagem.

Nada parecido com as aulas formais do curso de informática em que o aluno tem primeiramente que aprender a mexer no FrontPage, que de repente nunca virá a usar, para depois aprender o tópico seguinte e assim sucessivamente. Ele tem sim que iniciar seu aprendizado enfocando os recursos passíveis de uso em sala de aula. O aprendizado tem que ser significativo, caso contrário, não acontecerá.

O professor, ao iniciar o seu processo de aprendizagem na posição de aluno, atuará como protagonista de suas produções, uma vez que só se aprende a mexer no computador, mexendo e experimentando. A capacitação deverá unir a teoria à prática e não se limitar somente ao conteúdo teórico como normalmente acontece.

A capacitação deve ser iniciada desde o "como ligar o computador" , uma vez que a grande maioria dos docentes não é nativo digital, e muitos nunca ligaram um computador. Este "começar pelo começo" motivará o docente a interagir com a máquina, superando possíveis barreiras
pré-existentes, além de abrir caminho para futuras perguntas, que na maioria das vezes ficam recolhidas face ao receio de tornar público o não conhecimento do manuseio do computador.

Ao se sentir aluno e desfrutar de uma aprendizagem interativa, o professor percebe que com esta didática ele teve oportunidade de aprendizado e que lhe abriu um novo horizonte, acabando por mudar a sua maneira de atuar em sala de aula, incentivando o aluno a experimentar e a produzir. Agindo assim, estará se libertando da metodologia arcaica conteudista, e passará a incentivar a autonomia e autoria do aluno, desvencilhando-se de vez do mito de que todos têm que aprender o mesmo conteúdo, no mesmo processo, no mesmo ritmo, seguindo o mesmo itinerário.

Ao vivenciar esta experiência, no momento em que retornar à sua posição de docente, não correrá o risco de adotar o mesmo comportamento anterior em que construía o conteúdo multimídia e o disponibilizava na internet para que o aluno somente o acessasse, sem promover qualquer tipo de interação.

Esta mudança de paradigma propiciará que seu foco passe a ser o aluno (individualidade), levando em conta a diversidade e a não massificação no processo de aprendizagem, propiciando a construção da autonomia deste aluno bem como o desenvolvimento de competências, além, é claro, de motivar a interatividade, quesito fundamental no uso da Web.

O ideal será quando a escola permitir que se leve para a sala de aula o comportamento que se adota na Web, permitindo que os alunos possam ser criativos, responsáveis, autônomos, interativos e produtivos, respaldados no desenvolvimento das quatro competências básicas descritas por Jacques Delors: pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas, promovendo o desenvolvimento das inteligências múltiplas favorecendo, assim, a formação de indivíduos capacitados.

O texto é de nossa cadastrada Cybele Meyer, advogada, artista plástica, professora, pós-graduada em Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior, escritora e palestrante.

Contato: cybelemeyer@yahoo.com.br

Materia Publicada na Revista Profissão Mestre

Fonte: http://www.profissaomestre.com.br/

Um comentário:

Vina disse...

"Para conhecer as opções e o potencial destas ferramentas é necessário que os profissionais da educação estejam em constante processo de aprendizagem".
Estar em constante processo de aprendizagem deve ser compromisso do professor com ele mesmo, com seus alunos que sempre esperam o melhor dele e com a profissão de professor...